Não é fácil ser mulher e muito menos chegar aos 40 anos. Somos criadas sempre incentivadas a sermos uma mulher bem-sucedida. Casar, ter filhos e manter uma carreira próspera e nunca desistir dos nossos objetivos. Tudo isso é lindo na imaginação, em livros ou novelas, mas na vida real não é tão perfeito assim, parece mais um drama. Na adolescência sonhamos tanto e nunca imaginamos que um dia a nossa vida não chegaria a ser como idealizamos. Estudamos, trabalhamos, nos dedicamos ao máximo. Sofremos humilhações e assédio nas empresas, tudo para mantermos nosso sonho. Crescemos, aprendemos com tudo isso. Até chegamos a conquistar autonomia no trabalho. Mas e o sonho de casar e ter filhos? Não abandonamos. Quando casamos, pensamos que realizamos o maior sonha da nossa vida. Conquista que é dada à poucos, pelo contrário, a maioria chega a encontrar alguém para chamar de seu, mas até quando poderá chamar assim? Talvez por toda vida. E os filhos? Ah, os filhos, quem não deseja? O tempo passa e o sonho permanece, mas a cada dia uma tristeza. Eles não vieram e agora? Não está em minhas mãos. Será que estou sendo castigada? Mas isso não pode ser castigo, todos somos amados e uma graça divina é dada a todo filho, mesmo sendo muito pecador. Eu não teria cometido pecado tão cruel para receber tão grande castigo. Seria um erro da natureza? Talvez seja essa a resposta, mas logo eu que tanto desejo ter um filho? É, a natureza não escolhe.
Não tendo filhos, me resta um marido e um trabalho. Ótimo, sou uma mulher realizada!
Os anos passam e aquela dedicação vai por água abaixo, todo estudo e dedicação ao trabalho, hoje não valem de nada. Perdi o que mais me trazia autonomia e me tornava mulher independente. Não tenho mais ocupação, não sei mais o motivo que me levanto pela manhã. Só para me sentir viva? Talvez seja só para isso e para servir de alento a quem precisa de mim. Quem precisa de mim hoje? Meus filhos. Que filhos? Há, meu marido? Sim, só ele, os outros não precisa de mim, ou precisam? Às vezes alguns me pedem ajuda, coisa rara, mas acontece. Mas precisar mesmo só meu marido, mas para quê? Acho que para fazer arroz ou para não se sentir só. Ainda bem que tem essa última possibilidade, a que me deixa menos triste.
Mas vamos lá!
O que me restou além de ser companhia para meu marido e quebra-galho de um ou outro. Me restou a função de dona de casa. Algo que eu nunca gostei e nunca sonhei, mas assim como não temos o que tanto sonhamos, temos também algo que nunca queremos. Será o preço que pagamos para uma das coisas que desejamos? O tão sonhado marido!




